ESPAÇOS FEMININOS
Assenção Pessoa*
Mês de março, de dias tão importantes para o calendário mundial, nacional, estadual e municipal. Celebramos a força, a coragem e a sensibilidade das mulheres que transformam o mundo todos os dias. Cada mulher carrega em si histórias de luta, conquistas e esperança que inspiram novas gerações a sonhar e construir um futuro mais justo.
O 8 de março (Dia Internacional da Mulher) se conecta com o 11 de março (Dia da Mulher Maranhense) e o 15 de março (Dia da Mulher Itapecuruense). As mulheres têm papel fundamental no desenvolvimento social, cultural, econômico e político de nossas comunidades, sendo protagonistas em diferentes espaços de atuação e transformação.
Em 25 de março de 1911, foram queimadas 125 mulheres e 21 homens dentro de uma fábrica que estava em péssimas condições de trabalho. Esse fato está ligado às celebrações do Dia Internacional da Mulher. Cabe ressaltar que o primeiro fato ligado ao 8 de março de 1857, que foi a morte de 129 operárias carbonizadas em um incêndio ocorrido nas instalações de uma fábrica têxtil na cidade de Nova York, não está ligado às celebrações do Dia Internacional da Mulher.
No entanto, essas datas nos chamam à responsabilidade de continuar avançando. Ainda existem desafios importantes a serem enfrentados, como a busca por mais igualdade de oportunidades, respeito, segurança e valorização, que nos lembra que o reconhecimento não deve caber apenas em um único dia.
Os noticiários sobre a violência contra a mulher, como feminicídio, importunação sexual, estupros, misoginia, discriminação, enfim, formas de preconceito e infinidades de abusos contra a forma feminina de ser, nos deixam sempre em alerta.
Mas temos histórias de sucesso. Ao longo dessa história, essas mulheres têm sido protagonistas de transformações importantes. Com coragem e determinação, abriram caminhos, conquistaram direitos e ampliaram espaços que hoje fazem parte da nossa realidade. Cada conquista alcançada é resultado de persistência e de uma profunda crença na igualdade e na dignidade humana, quebrando o ciclo dos absurdos e da inércia masculina.
O dia 11 de março nos reporta à história de vida de Maria Firmina dos Reis e o 15 de março, homenageando a mulher itapecuruense.
Maria Firmina dos Reis, a mulher negra, a escritora, educadora e intelectual maranhense, que deu visibilidade às questões dos escravizados no Brasil, sendo a pioneira, romancista abolicionista, figura central, que rompeu barreiras ao publicar “Úrsula”. Maria Firmina teve sua trajetória apagada por décadas, sendo resgatada recentemente como figura fundamental da literatura afro-brasileira.
Relembrando a história dessas mulheres maranhenses, outra figura notável do século XIX foi Jesuína Serra, considerada uma das primeiras poetas de destaque, com estilo árcade. A literatura feminina maranhense é vasta, incluindo nomes como Dagmar Desterro, Virgínia Rayol Braga, Lucy Teixeira e Conceição Neves Aboud, que contribuíram para a força da voz feminina na região. Outras presenças femininas passaram a marcar a literatura do Maranhão com sensibilidade social e consciência histórica, como a escritora itapecuruense Mariana Gonçalves da Luz, segunda mulher a adentrar na Academia Maranhense de Letras.
Em uma história mais recente temos a poeta Arlete Nogueira da Cruz, a escritora Dilercy Adler, Ceres Fernandes, Laura Amélia Damous, Sonia Almeida, Jucey Santana, Benedita Silva Azevedo, Wanda Cunha, Lindevania Martins, Mundinha Araújo, Iêda Maria Castro, Dinacy Corrêa, Sônia Amaral, Fátima Travassos, Jorgeana Braga, Ana Luisa Almeida Ferro, Virgínia Ferreira, Lenita Estrela de Sá, Miriam Angelim, Lourença Araújo, Márcia Montenegro, Sharlene Serra, Susana Pinheiro, Érica Natacha, Josiane Coelho da Costa, Maura Luza Frazão, Assenção Pessoa, Alayne Silva, Martha Reis, e tantas outras, cujas obras revelam diferentes dimensões da experiência feminina, da memória e da identidade cultural maranhense. Assim, a contribuição das mulheres na literatura do Maranhão amplia o patrimônio intelectual do estado e reafirma o papel feminino como protagonista na construção da sua história literária.
A presença da mulher na literatura maranhense insere-se em um processo histórico de ampliação do protagonismo feminino nos espaços de produção intelectual do estado, tradicionalmente marcado pela forte reputação literária do Maranhão, muitas vezes denominado “Atenas Brasileira”. Durante o século XIX, período de intensa atividade literária e formação de academias e círculos intelectuais, a participação feminina ainda era limitada, em grande parte devido às restrições sociais e educacionais impostas às mulheres.
A participação da mulher na literatura maranhense representa uma conquista. Celebrar essa mulher é também construir um ambiente onde meninas e mulheres possam sonhar, crescer, estudar, trabalhar e viver com dignidade, respeito e liberdade. É reconhecer que, em cada comunidade, em cada família, em cada instituição, existem mulheres que fazem a diferença todos os dias. Mulheres que educam, que trabalham, que lideram, que cuidam, que inspiram e que constroem, com sensibilidade e força, novas possibilidades para o presente e para o futuro.
Quando pensamos que milhares de mulheres ainda pagam o preço por simplesmente “ser mulher”, é hora de repensar a sociedade em que estamos inseridos. É necessário fortalecer políticas públicas, ampliar oportunidades e garantir que todas as mulheres tenham acesso pleno aos seus direitos, à segurança, ao respeito e à igualdade.
Quando olhamos para a realidade dos municípios do Maranhão, além da literatura, percebemos com clareza a força e a importância da mulher maranhense em todas as áreas da economia e em todos os espaços de construção coletiva ou individual. São trabalhadoras que sustentam famílias, produzem na agricultura, no comércio, na educação, na saúde, no serviço público, na cultura, nas artes, no empreendedorismo, contribuindo diretamente para o crescimento econômico e social de nossos municípios e em tantas outras áreas que mantêm nossas cidades vivas, em movimento e em desenvolvimento.
São mulheres que acordam cedo para cuidar da casa, dos filhos e do trabalho. Possuem uma dupla jornada de trabalho. Mulheres que enfrentam desafios diários com coragem e dignidade. Que carregam consigo valores de solidariedade, fé, trabalho e esperança.
Quando olhamos mais profundamente para o território maranhense, especialmente para cidades como Presidente Vargas, Itapecuru Mirim, Vargem Grande e Nina Rodrigues, Pirapemas, Cantanhede, dentre outras, percebemos com clareza a presença forte e transformadora dessas mulheres em todos os espaços da vida social e humana. São essas mulheres que fazem a diferença na construção de novas gerações. Em nossas comunidades, nas zonas rurais e urbanas, encontramos exemplos inspiradores, histórias de mulheres que, mesmo diante das dificuldades, seguem firmes na missão de cuidar da família, trabalhar com nobreza, humildade e ajudar a construir um futuro melhor para os seus territórios.
Celebrar esta data é reconhecer que a história das nossas cidades também é escrita pelas mãos das mulheres que nunca deixam de acreditar em dias melhores. Quando uma mulher é respeitada, toda a sociedade cresce. Quando ela tem oportunidades, uma comunidade inteira se fortalece. E, quando uma mulher acredita em si mesma, ela abre caminhos para muitas outras.
Esta data nasceu da história de muitas mulheres que, ao longo do tempo, lutaram por melhores condições de trabalho, por respeito, por direitos e por igualdade. Mulheres que não aceitaram o silêncio diante das injustiças e que transformaram sua coragem em movimento social. Ao longo das décadas, o dia 8 de março tornou-se um símbolo mundial da luta feminina por dignidade, liberdade e reconhecimento.
Hoje,
essa data ultrapassa fronteiras e chega até nós como um convite à reflexão:
reconhecer o valor das mulheres em todas as áreas da vida e reafirmar o
compromisso de construir uma sociedade mais justa e igualitária, promovendo
segurança e extinguindo de vez toda forma de violência contra mulheres.
REFERÊNCIAS:
https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-da-mulher.htm
Assenção Pessoa*
Professora aposentada licenciada em Biologia com especialização em Biologia e em Gestão, Supervisão e Planejamento, escritora, poeta, pesquisadora. Membro fundadora da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA), Cadeira de Nº 13, Patrono: Manfredo Viana. Membro Efetivo da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão (SCLMA) e correspondente da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes (AVLA) e Academia Literária do Maranhão (ALMA).


























