terça-feira, 17 de março de 2026

ESPAÇO FEMININO - QUADRO DE PATRONAS DA ACADEMIA ITAPECURUENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES - AICLA

 

ESPAÇO FEMININO – QUADRO DE PATRONAS DA ACADEMIA ITAPECURUENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES - AICLA

(De 40 cadeiras – apenas 6 mulheres representam o quadro de Patronas.)

 Resumo textual e poemas por Assenção Pessoa


CADEIRA Nº 01 – MARIANA GONÇALVES DA LUZ (1871-1960)

 


Uma das figuras mais expressivas na literatura maranhense, do final do século XIX e da primeira metade do século XX. Foi professora, poeta, teatróloga, musicista, oradora, dramaturga, artista plástica e escritora.

 Lutava contra as regras de uma sociedade preconceituosa; pioneira em trabalhos artísticos e artesanais, fundação de escolas, teatro, participação de grêmios literários; e se projetar como poetisa, obtendo o respeito e a admiração em toda uma classe literária da época.

Mariana Luz, no início, usava o pseudônimo de homem, “Hector Moret”.

Único título organizado artesanalmente - “Murmúrios” (2ª ed 1990 - SIOGE, por Benedito Buzar - SECULT);

Membra da Academia Maranhense de Letras (24 de julho de 1948), a segunda mulher a ter assento naquela secular instituição literária, como fundadora da cadeira 32, tendo por patrono o poeta caxiense Vespasiano Ramos.

 

 CADEIRA Nº 07 MARIA DAS DORES CARDOSO (1937 - 1994)

 


Filha de Raimundo Cardoso e Antônia Meireles Cardoso.
Foi professora de história e educação física no Ginásio Bandeirante de Itapecuru Mirim, no CEMA (professor Raimundo Nonato Ferraz).

Devido a seu trabalho rigoroso e muito responsável Maria das Dores foi nomeada diretora do Grupo Escolar Gomes de Sousa, onde ficou até sua aposentadoria, Residia na rua do Sol, Centro (sua casa ainda se encontra de pé).

Era uma pessoa muito reservada, mas tranquila. Os alunos a respeitavam e lhe admiravam por ser uma mulher que se atreveu a dar aulas de educação física (uma atividade exclusiva de homens)

 

CADEIRA Nº 08 - GRACIETE DE JESUS CASSAS E SILVA (1931 – 1999)

 


A mãe de 3 filhos biológicos e inúmeros adquiridos, tinha o Cartório do 2º Ofício, onde foi escrivã. Realizou muitos casamentos (inclusive o meu)

Graciete Cassas se destacou:

ü No trabalho social: ajudava na harmonia dos lares; os necessitados. Qualquer pedinte que batesse em sua casa, ela atendia, qualquer hora.

ü Como parteira leiga: além dos partos normais, também socorria mulheres carentes.

ü Considerada “mãe da caridade”, mãe dos pobres”.

ü Grande contribuição na cultura: foi patronesse e uma das maiores incentivadoras da Festa do Arroz, nos anos 70 e 80.

ü Na política, embora nunca chegasse ao cargo de prefeita: candidatou-se 2 vezes, sem obter êxito.

Tinha uma característica marcante em sua vida, o bom humor. Recebia todos com um sorriso ou uma brincadeira. Nunca teve um inimigo, mesmo os adversários políticos eram acolhidos e bem vindos em sua casa.

 

 CADEIRA Nº 23 - MARIA JOSÉ LOPES – MARIA JOSÉ PRETA (1917 - 2007)



Filha de José Veríssimo Martins e Paula Maria Lopes.

Filha de pai lavrador e vaqueiro e mãe doméstica

Alfabetizada pela mãe, chegou a morar com uma família em São Luís/MA retornando aos 15 anos para sua comunidade, Campo de Pombinhas.

Religiosa, fez parte do apostolado Sagrado Coração de Jesus, de São José, Filha de Maria, Nossa Senhora das Dores e Legião de Maria, da qual foi uma das fundadoras.

Foi professora Alfabetizadora da comunidade, criando a Escola São José.

Aprendeu as tarefas domésticas e a costurar uma de suas fontes de renda.

Em 1968, (aos 25 anos de idade) trabalhou na Prefeitura Municipal, Escola Professor Luís Bandeira, atual Unidade Escolar João da Silva Rodrigues, até quando se aposentou.

Maria José Lopes deixou um legado extraordinário na educação de Itapecuru Mirim e na paróquia Nossa Senhora das Dores


CADEIRA Nº 24 - MARIA DA GLÓRIA BADEIRA DE MELO - LILI BANDEIRA (1907 - 1974)

 


Lili foi criada por sua tia e madrinha, Maria Regina Bandeira de Melo.

Estudou com professores de Itapecuru Mirim, sendo que grande parte dos conhecimentos foram absorvidos por esforço próprio nas leituras de bons livros que foi adquirindo ao longo da vida. Ela interessou-se pelos estudos da língua Portuguesa, Francesa, Castelhana e Latina, etc. Demostrava muito conhecimento das Sagradas Escrituras e possuía nível espiritual elevado. Relacionou 839 livros lidos.

 Professora, poeta, Lili Bandeira, organizava encontros culturais, as tertúlias literárias, onde os convidados se apresentavam no piano ou violão, canto, dança, declamando monólogos teatrais dramáticos, comédias, peças infantis e pastorais. Foi uma grande incentivadora da cultura itapecuruense.

 Além de escritora, Lili Bandeira foi Charadista, Caricaturista, Criou a escola de alfabetização “São José”, Ensinava artesanato e bordados, Possuía habilidades de cartomancia astrológica, Se atrevia em cantos na língua francesa e castelhana e latina, a exemplo, nas grandes partituras da liturgia católica tais como; ladainhas, missas e em cantos como “Ave Maria” de GUNOT.

 

28 - ENÓI SIMÃO NOGUEIRA DA CRUZ - Maria de Queiroz – nome literário

(1908 – 1969)

 


Filha do libanês Paulo Antônio Simão com a descendente de portugueses Celina Rodrigues Simão. Jornalista, cronista e poeta, Enói colaborou com vários jornais locais.

 Adotou o pseudônimo “Márcia de Queiroz” para proteger-se do preconceito a exemplo de Mariana Luz. Intelectual politizada, transmitiu aos filhos sua paixão pelas artes e seu interesse pelas causas sociais. Os seus poemas foram publicados com regularidade no jornal Trabalhista, do jornalista João Rodrigues, de Itapecuru Mirim. Recebeu menção Honrosa pelo Prêmio Cidade de São Luís, em 1957.

Segundo Arlete Nogueira, uma de suas filhas, também escritora: “Suas crônicas refletiam sobre o cotidiano da cidade e sua poesia, predominantemente de sonetos parnasianos, desvelava a alma romântica, delicada e insatisfeita de quem tinha inerente, o zelo técnico sobre a prosa e o verso, próprios do parnasianismo”.


Vamos agora falar dessas ilustres em forma de poesia, uma maneira de homenagear essas  mulheres que fizeram a diferença na sociedade de Itapecuru Mirim/MA.

Nesse mês de Março, o mês de homenagens às mulheres e reflexão sobre o posicionamento da voz feminina, nada melhor que falar delas em forma de poesia.


Cadeira de nº 1


Cadeira de Nº 7



Cadeira de Nº 8




Cadeira de nº 23



Cadeira de nº 24


Cadeira de nº 28



 


Esse resumo e esses poemas foram apresentados no 1º Sarau da AICLA em parceira com a Secretaria Municipal da Mulher, dia 11 de março. Um evento alusivo ao dia da Mulher Maranhense.



REFERÊNCIAS:

Dados extraídos do site da academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes - AICLA



Assenção Pessoa é professora, escritora, como formação acadêmica em Biologia, especialista em Gestão, Planejamento e Supervisão Escolar.


quarta-feira, 11 de março de 2026

 


ESPAÇOS FEMININOS

Assenção Pessoa*


                                                                     Celebrações do Dia Internacional da Mulher - Itapecuru Mirim/MA. 2026.


Mês de março, de dias tão importantes para o calendário mundial, nacional, estadual e municipal. Celebramos a força, a coragem e a sensibilidade das mulheres que transformam o mundo todos os dias. Cada mulher carrega em si histórias de luta, conquistas e esperança que inspiram novas gerações a sonhar e construir um futuro mais justo.

O 8 de março (Dia Internacional da Mulher) se conecta com o 11 de março (Dia da Mulher Maranhense) e o 15 de março (Dia da Mulher Itapecuruense). As mulheres têm papel fundamental no desenvolvimento social, cultural, econômico e político de nossas comunidades, sendo protagonistas em diferentes espaços de atuação e transformação.

Em 25 de março de 1911, foram queimadas 125 mulheres e 21 homens dentro de uma fábrica que estava em péssimas condições de trabalho. Esse fato está ligado às celebrações do Dia Internacional da Mulher. Cabe ressaltar que o primeiro fato ligado ao 8 de março de 1857, que foi a morte de 129 operárias carbonizadas em um incêndio ocorrido nas instalações de uma fábrica têxtil na cidade de Nova York, não está ligado às celebrações do Dia Internacional da Mulher.

No entanto, essas datas nos chamam à responsabilidade de continuar avançando. Ainda existem desafios importantes a serem enfrentados, como a busca por mais igualdade de oportunidades, respeito, segurança e valorização, que nos lembra que o reconhecimento não deve caber apenas em um único dia.

Os noticiários sobre a violência contra a mulher, como feminicídio, importunação sexual, estupros, misoginia, discriminação, enfim, formas de preconceito e infinidades de abusos contra a forma feminina de ser, nos deixam sempre em alerta.

Mas temos histórias de sucesso. Ao longo dessa história, essas mulheres têm sido protagonistas de transformações importantes. Com coragem e determinação, abriram caminhos, conquistaram direitos e ampliaram espaços que hoje fazem parte da nossa realidade. Cada conquista alcançada é resultado de persistência e de uma profunda crença na igualdade e na dignidade humana, quebrando o ciclo dos absurdos e da inércia masculina.


Jovens promissoras

            O dia 11 de março nos reporta à história de vida de Maria Firmina dos Reis e o 15 de março, homenageando a mulher itapecuruense.

Maria Firmina dos Reis, a mulher negra, a escritora, educadora e intelectual maranhense, que deu visibilidade às questões dos escravizados no Brasil, sendo a pioneira, romancista abolicionista, figura central, que rompeu barreiras ao publicar “Úrsula”. Maria Firmina teve sua trajetória apagada por décadas, sendo resgatada recentemente como figura fundamental da literatura afro-brasileira.

Relembrando a história dessas mulheres maranhenses, outra figura notável do século XIX foi Jesuína Serra, considerada uma das primeiras poetas de destaque, com estilo árcade. A literatura feminina maranhense é vasta, incluindo nomes como Dagmar Desterro, Virgínia Rayol Braga, Lucy Teixeira e Conceição Neves Aboud, que contribuíram para a força da voz feminina na região. Outras presenças femininas passaram a marcar a literatura do Maranhão com sensibilidade social e consciência histórica, como a escritora itapecuruense Mariana Gonçalves da Luz, segunda mulher a adentrar na Academia Maranhense de Letras.

Em uma história mais recente temos a poeta Arlete Nogueira da Cruz, a escritora Dilercy Adler, Ceres Fernandes, Laura Amélia Damous, Sonia Almeida, Jucey Santana, Benedita Silva Azevedo, Wanda Cunha, Lindevania Martins, Mundinha Araújo, Iêda Maria Castro, Dinacy Corrêa, Sônia Amaral, Fátima Travassos, Jorgeana Braga, Ana Luisa Almeida Ferro, Virgínia Ferreira, Lenita Estrela de Sá, Miriam Angelim, Lourença Araújo, Márcia Montenegro, Sharlene Serra, Susana Pinheiro, Érica Natacha, Josiane Coelho da Costa, Maura Luza Frazão, Assenção Pessoa, Alayne Silva, Martha Reis, e tantas outras, cujas obras revelam diferentes dimensões da experiência feminina, da memória e da identidade cultural maranhense. Assim, a contribuição das mulheres na literatura do Maranhão amplia o patrimônio intelectual do estado e reafirma o papel feminino como protagonista na construção da sua história literária.

A presença da mulher na literatura maranhense insere-se em um processo histórico de ampliação do protagonismo feminino nos espaços de produção intelectual do estado, tradicionalmente marcado pela forte reputação literária do Maranhão, muitas vezes denominado “Atenas Brasileira”. Durante o século XIX, período de intensa atividade literária e formação de academias e círculos intelectuais, a participação feminina ainda era limitada, em grande parte devido às restrições sociais e educacionais impostas às mulheres.


                                                                                  Celebrações do Dia Internacional da Mulher - Itapecuru Mirim/MA. 2026.

A participação da mulher na literatura maranhense representa uma conquista. Celebrar essa mulher é também construir um ambiente onde meninas e mulheres possam sonhar, crescer, estudar, trabalhar e viver com dignidade, respeito e liberdade. É reconhecer que, em cada comunidade, em cada família, em cada instituição, existem mulheres que fazem a diferença todos os dias. Mulheres que educam, que trabalham, que lideram, que cuidam, que inspiram e que constroem, com sensibilidade e força, novas possibilidades para o presente e para o futuro.

Quando pensamos que milhares de mulheres ainda pagam o preço por simplesmente “ser mulher”, é hora de repensar a sociedade em que estamos inseridos. É necessário fortalecer políticas públicas, ampliar oportunidades e garantir que todas as mulheres tenham acesso pleno aos seus direitos, à segurança, ao respeito e à igualdade.

Quando olhamos para a realidade dos municípios do Maranhão, além da literatura, percebemos com clareza a força e a importância da mulher maranhense em todas as áreas da economia e em todos os espaços de construção coletiva ou individual. São trabalhadoras que sustentam famílias, produzem na agricultura, no comércio, na educação, na saúde, no serviço público, na cultura, nas artes, no empreendedorismo, contribuindo diretamente para o crescimento econômico e social de nossos municípios e em tantas outras áreas que mantêm nossas cidades vivas, em movimento e em desenvolvimento.

São mulheres que acordam cedo para cuidar da casa, dos filhos e do trabalho. Possuem uma dupla jornada de trabalho. Mulheres que enfrentam desafios diários com coragem e dignidade. Que carregam consigo valores de solidariedade, fé, trabalho e esperança.

Quando olhamos mais profundamente para o território maranhense, especialmente para cidades como Presidente Vargas, Itapecuru Mirim, Vargem Grande e Nina Rodrigues, Pirapemas, Cantanhede, dentre outras, percebemos com clareza a presença forte e transformadora dessas mulheres em todos os espaços da vida social e humana. São essas mulheres que fazem a diferença na construção de novas gerações. Em nossas comunidades, nas zonas rurais e urbanas, encontramos exemplos inspiradores, histórias de mulheres que, mesmo diante das dificuldades, seguem firmes na missão de cuidar da família, trabalhar com nobreza, humildade e ajudar a construir um futuro melhor para os seus territórios. 


Celebrações do Dia Internacional da Mulher - Itapecuru Mirim/MA. 2026.

Celebrar esta data é reconhecer que a história das nossas cidades também é escrita pelas mãos das mulheres que nunca deixam de acreditar em dias melhores. Quando uma mulher é respeitada, toda a sociedade cresce. Quando ela tem oportunidades, uma comunidade inteira se fortalece. E, quando uma mulher acredita em si mesma, ela abre caminhos para muitas outras.

Esta data nasceu da história de muitas mulheres que, ao longo do tempo, lutaram por melhores condições de trabalho, por respeito, por direitos e por igualdade. Mulheres que não aceitaram o silêncio diante das injustiças e que transformaram sua coragem em movimento social. Ao longo das décadas, o dia 8 de março tornou-se um símbolo mundial da luta feminina por dignidade, liberdade e reconhecimento.

Hoje, essa data ultrapassa fronteiras e chega até nós como um convite à reflexão: reconhecer o valor das mulheres em todas as áreas da vida e reafirmar o compromisso de construir uma sociedade mais justa e igualitária, promovendo segurança e extinguindo de vez toda forma de violência contra mulheres.

 

REFERÊNCIAS:

https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-da-mulher.htm

https://www.ma.gov.br/noticias/exposicao-espelhos-da-vida-celebra-a-forca-da-presenca-feminina-na-literatura-maranhense#:~:text=Mulher%20maranhense%20na%20literatura%20e,Centro%20Hist%C3%B3rico%20de%20S%C3%A3o%20Lu%C3%ADs.

 

 


Assenção Pessoa* 

Professora aposentada licenciada em Biologia com especialização em Biologia e em Gestão, Supervisão e Planejamento, escritora, poeta, pesquisadora. Membro fundadora da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA), Cadeira de Nº 13, Patrono: Manfredo Viana. Membro Efetivo da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão (SCLMA) e correspondente da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes (AVLA)  e  Academia Literária do Maranhão (ALMA).

  


segunda-feira, 27 de outubro de 2025







                                      Meu pedacinho de chão às margens do Rio Itapecuru

                                                                                     Assenção Pessoa

Nesse mês de outubro celebramos a fundação da Vila de Itapecuru Mirim. Compreender a formação de uma vila pelo contorno geral do seu Estado é ressignificar um conceito português pelo olhar de uma itapecuruense. Dia 20 de outubro de 2025, Itapecuru Mirim completou 207 anos de Vila. Mas o que seria uma vila na concepção portuguesa, senão um reflexo do sistema administrativo e territorial do Império Português em Portugal e no Brasil, integrando metrópole e colônias? A categoria de vila não foi ato casual, mas um processo fundamental para a organização e administração de Itapecuru Mirim, concedendo-lhe autonomia local e direitos jurídicos.

A pacata Freguesia do Itapecuru Mirim, da Capitania da Ribeira, referindo-se ao rio Itapecuru, no continente maranhense, agora era "Vila"! Vivas foram ecoados com estilo. Criou-se a casa de Câmara e Cadeia pública, cargos de juízes, vereadores, tabeliões, votação no pelouro! Ergueu-se o pelourinho. Pelourinho? Com qual objetivo? Uma vila sim, grandes passos! No entanto, ainda escravizada. Será que os castigos seriam somente para os criminosos e os ladrões?

À primeira impressão, é que o termo “Vila” não tem importância. Mas para os itapecuruenses foi um grande ponto de partida para uma futura e próspera cidade. Contava com a capela Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (1820), tendo depois seu legado para a imponente Igreja Matriz, Nossa Senhora das Dores, de padroeira do mesmo nome, desde o período da Freguesia (1801).

Sob forte influência de vários eventos, a Vila do Itapecuru vive a efervescência da história do Maranhão e do Brasil. Se pararmos para pensar, Itapecuru Mirim Vila teve papel importante na adesão do Maranhão à independência do Brasil, revelando-se fundamental e estratégica para a batalha do Jenipapo (1823), guerra dos Três “B”, a “Setembrada”, entre outros fatos, como a sede do Governo de São Luís; sede das forças armadas contra e simpatizantes da independência. A Vila aderiu à Independência do Brasil, uma semana antes da capital São Luís, em 20 de julho de 1823. Outro fato importante foi a Guerra da Balaiada (1938-1941), diferentemente das demais, essa luta era por justiça social, igualdade, equidade e, sobretudo, direito à cidadania.

Hoje, nossa luta continua. Os balaios, numa interpretação moderna, continuam numa revolta histórica, às vezes silenciosa, mas com as mesmas raízes e desafios socioeconômicos e políticos atuais, como por exemplo, o desemprego, a desigualdade e a exclusão social e rural, o preconceito, mas com as características e as necessidades do século XXI.

Essa é a nossa Itapecuru Mirim que, de Vila à cidade, em 1870, uma situação sóciogeográfico, uma existência de mais de 230 anos, com outras vivências e fatos que constroem a cada dia uma nova história para seus itapecuruenses.   





                                                                                      Assenção Pessoa

 Professora Licenciada em Ciências-Biologia com Especialização em Biologia (UEMA) e em Gestão, Supervisão e Planejamento (IESF), escritora, poeta e pesquisadora. Itapecuruense, é membro fundadora da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA), Cadeira de Nº 13, Patrono: Manfredo Viana; membro da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão (SCLMA); membro Correspondente da Academia Literária do Maranhão (ALMA); membro Correspondente da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes (AVLA).

 

Publicações literárias:

Recordações (poesia); Itapecuru Mirim, sua gente, sua história; Educação Sexual e Saúde Escolar; Alana, um ser de luz outros contos e poesias; Alfredo Menezes, o cara; LAGUSA Poemas, orgasmos em dose dupla; Infanto-juvenis: José e as Três Mosqueteiras, A Princesa Sarah e o Sapo, Mirela a princesa que vivia sonhando, Os Sonhos Dourados de Amália, Sapatilhas de Pontas; LAGUSA Poemas II, rosas e flores: o bálsamo das sensações); LAGUSA Poemas III, em família na terceira pessoa do plural. Participação em Antologias, revistas Literárias, publicações em jornais locais e participação em Festas e Feiras Literária. (https://aicla.org.br/academicos/)

 

segunda-feira, 21 de julho de 2025

 



ENTENDENDO A HISTÓRIA

Itapecuru Mirim: sua gente, sua história (Pessoa, 2015)

 “A região, inicialmente habitada por indígenas, viu a chegada de portugueses e a construção dos primeiros engenhos, como o Engenho do Itapecuru”.


A primeira referência histórica sobre Itapecuru Mirim, que se tem registro data de 1648, e refere-se à consulta do Conselho Ultramarino ao Rei D. João IV, acerca da mudança da sede do Governo de São Luís/MA, para Itapecuru Mirim (Buzar, 2013).

Em 25 de agosto de 1768, foi enviado ao Rei de Portugal, D. José, um pedido dos moradores da Ribeira do Itapecuru, para expedir um alvará de confirmação da vila, datado de 12 de setembro de 1767, no entanto ficaram por mais de 50 anos sem respostas.

Mas, o núcleo de Itapecuru Mirim entre os anos de 1795 a 1808, cresceu e passou a se chamar Arraial da Feira, localidade onde se juntavam boiadas para serem negociadas nas fazendas, proporcionando dessa forma, o sustento dos lavradores, bem como dos habitantes do povoado. O seu crescimento e enriquecimento à época, deu-se pela atividade do comércio, da produção de arroz, algodão e criação de gado.

Com o crescimento populacional, e por ter uma posição geográfica privilegiada, pois, o sítio urbano localizava-se bem próximo à margem do rio Itapecuru, Arraial da Feira, pela provisão régia de 25 de setembro de 1801, passa a ser chamada de Freguesia de Itapecuru, referindo-se ao rio, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, um distrito subordinado ao município de São Luís.

DETALHE: Freguesia era uma divisão territorial administrativa criada pelo regime português, obrigatória para a igreja católica (as santas missões) e o Estado, e dando sequência aos eventos de prosperidade eram criadas as Vilas, e posteriormente, Cidades (Santana, Blog 2017).



Seguindo seu curso e desenvolvimento, torna-se Vila de Itapecuru Mirim também por provisão régia de 20 de outubro de 1818, quando foi constituída a Casa de Cadeia e Câmara, desmembrada de São Luís, constituindo-se assim, um distrito sede, já com a nomeação de dois Tabeliães Públicos Judiciais e de Notas, entre outros cargos importantes para a Vila, conquistando sua autonomia política. Mais tarde foi criada a Comarca de Itapecuru Mirim pela Carta de Lei Nº 07/1835, hoje, Fórum Desembargador Raimundo Publio Bandeira de Melo, como instituição judiciária.

O nome Itapecuru Mirim foi para diferenciar de Itapecuru Grande (hoje, Rosário/MA).

Itapecuru Mirim tornou-se uma das mais prósperas vilas do Maranhão de 1818 a 1880, atrás somente da capital São Luís e de Caxias, tendo importante participação na história do Maranhão, como por exemplo, na adesão do Maranhão à independência do Brasil, na Guerra da Balaiada, dentre outros fatos marcantes do Maranhão e do Brasil.

A Vila de Itapecuru Mirim foi elevada à categoria de cidade em 21 de julho de 1870, pela Lei Provincial Nº 919, conferido pela Coroa Portuguesa como um título de reconhecimento pela importância administrativa e populacional.




Itapecuru Mirim, cidade de relevo bastante modesto, com uma riqueza única que tem o rio de mesmo nome, o rio Itapecuru, principal atrativo natural, possuidora de uma vasta riqueza cultural e religiosa. A cidade dos babaçuais. Somos todos frutos da miscigenação dos povos europeus, africanos, indígenas. Cada um de nós herdou um pouco dessa mistura que teve início há quase quatro séculos. Somos um povo mestiço, negro, indígenas, colonos portugueses, além dos sírios, libaneses, árabes, japoneses, gaúchos, paraibanos, cearenses, baianos e paraenses e tantos outros que aqui aportaram buscando oportunidades. Um povo tipicamente itapecuruense que canta e encanta, mas que também sofre, luta, estuda e trabalha.

Nosso povo contempla os trabalhadores e trabalhadoras rurais, artesãs, pescadores, extrativistas, empresários, formais, informais, trabalhadores da saúde, da educação, do entretenimento, nossos alunos, universitários, enfim, cidadãos sonhadores e realizadores. Porém, uma parte, há de se cuidar para não perdermos a luta para as drogas e a violência.

 Temos história, cultura, literatura, artes e itapecuensidade no sangue e na alma.  Nossa culinária é densa, fecunda. Nossa fauna e flora rica, única. Somos meio amazônicos, meio cerrado.

Nosso hino, fala por nós: “Terra de amor, Itapecuru”. Nossa bandeira traduz o nosso amor por nossas riquezas, onde a “estrela” contida no canto superior direito, representa a Constelação do Cruzeiro do Sul, mas também a cidade de Itapecuru Mirim nos céus do Maranhão/Brasil. Nosso Brasão resume nossa história, nossa riqueza, nosso povo.

            Somos lendas, crendices, superstições, cantigas, danças, festas. Somos folclore, a cultura popular. O nosso jeito de pensar, agir e sentir nos define. Estamos nas entranhas das religiões e na crença de um Deus único, soberano, indivisível.

Itapecuru Mirim e seu povo tem essa mágica única de manifestar sua alegria, celebrar e agradecer.

 

RESUMÃO – LINHA DO TEMPO DE ITAPECURU MIRIM/MA.

Habitação Indígena – mais de 347 anos

Tempo de existência (primeiros registros – 1948) – 347 anos

Núcleo desanexado de Rosário – (1795) – 230 anos

Freguesia – (1801) – 224 anos

Vila – (1818) – irá completar em 2025, 207 anos – data mais importante para Itapecuru Mirim, quando adquiriu sua Autonomia Política e Administrativa.

Apogeu da Vila do Itapecuru Mirim – 1818 a 1880.

Cidade (1870) – 155 anos.

 Que o nosso povo continue guerreiro e aguerrido!



Texto da Professora, escritora, pesquisadora e ativista cultural Assenção Pessoa.

16/07/2025.



LOUVAÇÃO A ITAPECURU-MIRIM

Assenção Pessoa

 

 

Minha bela cidade!

De povo alegre, desperta humilde.

Ordeira e gigante, e a esperança de vê-la brilhante.

Dos filhos da terra ao o imigrante/

Louvores além da ribeira distante.

 

Minha bela Itapecuru! Cidade e rio

Pérola fulgente de céu cor de anil

Saudade dos teus, ecoa nos recantos,

Desse nosso Brasil

Sussurram teu nome sutil

Itapecuru encanto juvenil.

 

Minha bela cidade!

Eu quero viver, a tua beleza, tua poesia.

Quero respirar, teus cultos, tuas lendas...

Cantos e fantasias.

Nas águas do teu rio, meu corpo banhar,

E ver o molejo da morena faceira,

Ao lado da ribeira, desnuda a bailar.

Liberdade tigreira, mistério a saudar.

 

Minha bela cidade! / de lutas e glórias

A terra do índio/ orgulho e vitória

Ó ninho do pássaro!

Xexéu da Ribeira/ és tu Itapecuru

De norte a sul/ Jardim do meu Maranhão/

Que outrora vivera.