AS DEZ MARGENS DA IMORTALIDADE: UM TRIBUTO AO SABER FEMININO
AS DEZ MARGENS DA IMORTALIDADE:
UM TRIBUTO AO SABER FEMININO
Passando pelas belíssimas frases de “O Pensador”, encontrei essa que me tocou: “Ser mulher é carregar força e sensibilidade em cada passo. A essência feminina nasce das lutas, dos sonhos e da coragem diária de seguir em frente. Reconhecer essa potência fortalece a autoestima, inspira autenticidade e encoraja cada mulher a honrar sua história, abraçar quem é e viver com orgulho da própria trajetória”.
Neste mês de março, celebramos na Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA, dez trajetórias que provam que o intelecto feminino não cabe em uma única moldura. Somos escritoras, mas, acima de tudo, somos cineastas, cientistas, professoras, pesquisadoras, artistas e ativistas culturais, narradoras da nossa própria história. Temos na escrita um solo em comum, embora as mãos aqui presentes operem bisturis, câmeras, compartilhem conhecimentos, usem a lupa da pesquisa, a métrica do cordel, do haicai ou da poesia, dentre outras diversidades intelectuais, todas seguram a mesma caneta.
Destaco nesta celebração os saberes em forma de "Elogio às Dez". Um grupo tão plural, onde o segredo é a unidade na diversidade, que embora venham de áreas distintas, todas convergem para a escrita e a imortalidade acadêmica. Celebrar cada uma, à sua maneira, traduz o mundo em palavras nessa polifonia feminina. É o reconhecimento da excelência intelectual que quebra barreiras históricas sobre o ser mulher e constrói o exercício da transformação social e literária. Aqui, o bordado da existência feminina ganha as cores, os sons e a alegria do nosso chão itapecuruense.
O elogio é uma
forma de reconhecer o grande tear da inteligência feminina que se tece às
margens do nosso Rio Itapecuru sob as águas que moldam a nossa história. São
dez acadêmicas que entrelaçam saberes distintos em um único e resistente
bordado, o da imortalidade. Portanto, celebro as dez margens dessa imortalidade
no contexto do nosso rio, o rio que banha a nossa Academia Itapecuruense.
A médica e a pesquisadora, que, como as águas nascentes do rio Itapecuru, cuidam com sensibilidade da saúde e da memória de nossa gente, leem o corpo e o mundo para escrever a cura e a construção do entendimento histórico-social.
Nesse contexto de cura e resgate histórico, que traduzo em elogio às mestras da Cadeira 25, Janne Chaves Araújo e Jucey Santos de Santana, que ocupa a Cadeira 01 da Casa de Mariana Luz.
A
médica Janne, uma itapecuruense que nasceu pelas mãos da parteira Enedina. Seus
caminhos, construídos sob forte religiosidade, a fizeram uma pessoa mais
empática, sensível aos problemas da humanidade. A cardiologista é uma luz na
pesquisa científica e pela cura e melhor tratamento das doenças do coração. Com o conhecimento sobre o envelhecimento humano, pode promover
uma melhor qualidade de vida e autonomia a seus pacientes.
Já, a itapecuruense Jucey traz consigo a arte de buscar fatos históricos transcritos em memórias irrefutáveis, imortalizando épocas, lugares e emoções. Responsável por desbravar e promover a fundação de novas academias literárias pelas cidades do Maranhão afora, Jucey também carrega a avidez em produzir antologias ricas de informações e personalidades.
Voltamos nosso elogio às professoras, aquelas que escrevem o futuro nas mentes de quem aprende, e às ativistas culturais que garantem que o fio do conhecimento jamais se rompa e que a cultura itapecuruense siga fluindo para as próximas gerações. Uma ativista cultural, assim como a professora, reescreve a resistência do pensar feminino, preservando a nossa identidade. A AICLA está repleta de professoras e amantes da cultura.
Agora é a vez de apresentar Nazaré Ferraz, Assenção Pessoa, Leonete Amorim, Teresa Lopes, Benedita Azevedo, Tereza Cristina, e, em memória, Anozilda Fonseca.
Dona da Cadeira 02, a itapecuruense Maria de Nazaré Ferraz Tomaz, Nazita, é uma professora com muitas distinções e expertise na arte de liderar a didática educacional em instituições de ensino. Bem conceituada, Nazita abraçou as políticas públicas, contribuindo inclusive com o seu município, Itapecuru Mirim. Foi condecorada pela Câmara Municipal de São Luís com a Comenda Simão Estácio da Silveira, maior honraria do poder legislativo da capital maranhense, autora do livro Reflexões Respingos.
Maria da Assenção Lopes Pessoa, Cadeira 13, uma menina prodígio que veio ao mundo pelas mãos da parteira Ana Júlia. Assenção sempre demonstrou desde muito cedo habilidade e talento para a escrita e uma inteligência extraordinária na área das artes e da ciência. Muito dedicada aos estudos, fez da sua vida uma entrega no ato de ensinar e compartilhar conhecimentos. Revezando-se entre a sala de aula e a gestão escolar, Assenção se fez escritora, trespassando barreiras para suas publicações e crescimento intelectual. Impulsionada pela poesia e pela literatura infantil, desenha sua escrita por todo um universo literário, passeando pela crônica, contos, textos correlatos como se estivesse a nadar pelas águas do Itapecuru. O mérito de Assenção se destaca pela boa qualidade técnica e criativa em suas obras e sempre está disposta a aprender cada vez mais. Celebramos o rigor da sua pesquisa, a força da métrica e a profundidade de seus pensamentos.
Na Cadeira 30, Leonete Barros Amorim Barbosa é filha de Itapecuru Mirim/MA. Tem na Pedagogia, na Psicopedagogia Clínica e Institucional sua base para escrever bem seus poemas e seus livros infantojuvenis como o “Rá, Ré, Ri, Ro, Rua!”. É um ser humano incrível com uma grande capacidade de aceitação e compreensão da condição humana. Mulher de fibra e coragem, mas também carregada de humildade e paciência.
Terezinha Maria Muniz Cruz Lopes, que ocupa a Cadeira 36, é arariense. Excelente professora, ex-bancária e uma desbravadora ativista cultural. Pioneira em vários projetos culturais, atuou e continua atuando na cultura e turismo dos municípios por onde residiu e reside. Teresa tem grande conhecimento sobre políticas públicas, o que lhe atribui competência para exercer cargos na administração pública municipal, e, ainda, tem empatia para cuidar das pessoas apenadas, ajudando-as a transpor barreiras e se ressocializar com dignidade, prestando um grande serviço para a sociedade de Itapecuru Mirim.
Uma pausa para elogiar Anozilda dos Santos Fonseca, in memoriam, cadeira 24. Dona Santinha se desenhou professora e deixou seu legado por onde passou. Dona de uma reputação ilibada, enérgica como educadora, deixou como legado na escrita o livro de poemas “Olhei a vida de perto”.
E na roda das águas correntes das professoras surgem as cordelistas, as poetas, haicaístas e outros gêneros que dão o ritmo e cadência nos versos que o vento dissemina no tempo e no espaço, mantendo viva a rima que pulsa no coração do leitor amante pelas mais diversas formas do fazer poético.
Temos na cadeira 04 uma grande mulher, professora, mãe de Rian, um menino autista em que ela tem nele sua maior dedicação. A ludovicense Tereza Cristina Silva Lopes Santos, em suas publicações em cordel, traz temáticas de inclusão da pessoa com deficiência, buscando assim chamar a atenção para o cuidado, empatia e responsabilidades. Tereza tem a escrita como o primor revigorante que alimenta seus dias de chuva e de sol. Uma incrível pessoa de maternidade atípica que ainda tem tempo para cuidar de outras pessoas. A voz que fascina o mundo autista e contribui para uma cobertura mais plural e diversa.
A professora Benedita Silva de Azevedo, cadeira 34, itapecuruense radicada no Rio de Janeiro (RJ), escreve haicais por excelência. Apesar de desfilar por outros gêneros, a haicaísta também percorre o mundo das artistas visuais. Pertencente a várias instituições literárias no Brasil, Chile, Portugal e França, Benedita transita pela fundação de Grêmios Haicais e possui uma variedade de obras publicadas.
E, por último, não menos importante, temos a cineasta, que escreve e projeta movimentos, luzes e sombras para o mundo, capturando o reflexo de nossas almas nas lentes do tempo. Na cadeira 28, a nossa menina Keyci de Sousa Martins, premiada em festivais de cinema, dirige curtas-metragens e faz produções belíssimas. É uma itapecuruense que preza por sua cidade e respeita seus munícipes, inclusive aproveitando os talentos de terrinha como grandes atores de suas produções cinematográficas.
“Elas” não estão aqui por concessão, mas por conquista absoluta de suas mentes brilhantes. A trajetória dessas mulheres nos mostra a resiliência de um fazer dobrado. Muitas mulheres na literatura conciliam a produção acadêmica com papéis sociais historicamente impostos. Muitas vezes, para cada página ou roteiro escrito, para cada pesquisa iniciada, há um desafio adicional a ser superado. “Elas” transformam o cotidiano em intelecto e a sensibilidade em ciência.
Na Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA), a presença desses dez faróis humaniza e oxigena a instituição. A presença “delas” transforma e inspira as próximas gerações. Ao se imortalizarem nas galerias da Academia, elas garantem que nenhuma menina precise duvidar se o mundo das letras e das artes também lhe pertence.
Mês de março, celebro com elogio todas essas dez mulheres, e aí eu me incluo, pelo comprometimento com suas profissões, o rigor de suas pesquisas e a profundidade de suas produções científico-literárias. É um privilégio tê-las no quadro da AICLA.
São mulheres que tecem no fio da meada, o tecido da vida que une áreas tão distintas sob uma única imagem poética, a metáfora do "Bordado da Existência" ou da "Tessitura do Destino" funcionando perfeitamente como as águas caudalosas do rio Itapecuru cortando nossa cidade e nos enchendo da fonte viva da vida. Cada profissão dessas dez mulheres atua como um movimento diferente na criação de uma obra-prima, única.
E no grande tear das imortais, se
olharmos atentamente para estas dez Cadeiras, veremos que elas não estão
isoladas, elas são as hastes de um mesmo tear onde se borda a nossa história
sob a proteção de nossa padroeira Nossa Senhora das Dores e sob as águas do
nosso rio, o rio Itapecuru. É o nosso legado coletivo, o farol para o futuro!
"Homenagear as dez escritoras que compõem o quadro da AICLA é dizer que o pensamento feminino é múltiplo, é humano, é técnico e é visceral. Que suas obras e suas profissões continuem sendo o espelho onde outras mulheres se vejam capazes de serem, também, imortalizadas."
“Uma
Academia de Ciências, Letras e Artes não é feita apenas de paredes, objetos,
redes sociais e silêncio, mas que se completa com o fôlego dessas mulheres que
trazem a vivência da prática para o rigor das ciências e a leveza das artes e
da escrita. Elas não apenas ocupam cadeiras; elas abrem portas e janelas.”
Itapecuru Mirim, que respira cultura, encontra nestas mulheres a tradução viva de sua grandeza. Aqui, o bordado da existência ganha a identidade do nosso território. Pelo brilho da inteligência, pela escrita que cura, ensina e encanta, e pela honra de terem seus nomes gravados nos anais desta Academia, com o vigor das nossas águas itapecuruenses, celebremos sempre estas dez artífices do saber. Um aplauso à vida, à trajetória e à obra das nossas imortais!
Para encerrar esse elogio, trago a
força da literatura maranhense. Escolho Maria Firmina dos Reis, a primeira
romancista do Brasil, nascida em São Luís. Sua trajetória como mulher, negra e
intelectual em pleno século XIX personifica a luta e a conquista de todas nós,
acadêmicas de letras, artes e ciências. Focada na coragem, liberdade, entrega e
sentimento, Maria Firmina tem uma citação que vem reforçar essa homenagem a
essas dez mulheres que abriram e continuam abrindo novos caminhos:
“A
mente não tem sexo; a inteligência não tem cor” (frase atribuída à
essência do pensamento de Maria Firmina dos Reis).
Como bem nos ensinou a pioneira Maria Firmina dos Reis, “a nossa mente não conhece fronteiras”. E hoje, na Academia Itapecuruense, provamos que a inteligência feminina é o motor que move a nossa história. Ainda focada na entrega e no sentimento, Maria Firmina diz que “tudo o que é belo e grande, a alma compreende e ama".
É esse amor pelo belo, pela ciência e pela arte que nos une hoje na forma de elogio a todas as nossas acadêmicas personalizadas como ‘As dez margens da imortalidade: Um Tributo ao Saber Feminino”, nos referindo ao nosso rio e a nossa Academia.
Assim como iniciei,
encerro fazendo minha a frase de “O Pensador” e afirmando que “Reconhecer a potência feminina
fortalece a autoestima, inspira autenticidade e encoraja cada mulher a honrar
sua história, abraçar quem é, e viver com orgulho da própria trajetória”.


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